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sexta-feira, 30 de abril de 2021

Vídeos: Família denuncia negligência após morte da jovem Amanda Lorraine em Timbaúba

Família denuncia negligência após morte da jovem Amanda Lorraine em Timbaúba.

Amanda tinha 23 anos e, com 40 semanas, foi a primeira paciente a dar à luz na Maternidade Doutor Tito Ferraz após a reabertura para partos da rede municipal. 



Polícia Civil investiga o caso como 'morte a esclarecer'.


Uma mulher morreu horas após dar à luz uma menina, na Maternidade Doutor Tito Ferraz, que fica no Hospital Memorial Doutor João Ferreira Lima, em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. 


O parto foi o primeiro feito por meio da rede pública, na unidade, em cinco anos - antes da reabertura, as gestantes que utilizavam o Sistema Único de Saúde (SUS) precisavam ser transferidas para o Recife.


A família da vendedora Amanda Lorraine Gonçalves de Lima acredita que houve negligência e denunciou que, por seis horas, a paciente ficou sem atendimento médico, até sofrer convulsões. 


A Polícia Civil está investigando o caso como "morte a esclarecer".


A prefeitura de Timbaúba disse, em nota, que, para entender e analisar o que aconteceu, a "maternidade parou o atendimento na quinta-feira (29) e nesta sexta-feira (30), devendo retomar no sábado (1º) (veja mais abaixo).


A Maternidade Doutor Tito Ferraz é particular e foi inaugurada há cerca de 50 anos. 


Por causa de um convênio com a prefeitura, o local passou a fazer partos para a rede pública, mas, há cerca de cinco anos, parou de atender pacientes do SUS. 


Na quarta-feira, houve a reinauguração da parceria.


Amanda tinha 23 anos e estava com 40 semanas de gestação. A cesariana começou por volta das 8h40 da quarta-feira (28) e, cerca de uma hora depois, Amanda saiu da cirurgia, amamentou a bebê normalmente e foi transferida para um quarto.


Segundo a família, mãe e filha, chamada Júlia, passavam bem após o parto e não tinham nenhuma comorbidade.


"Ela estava normal, feliz, contente como sempre foi. Quando entrou no quarto, ela disse 'mainha, meus braços estão formigando'. Eu disse 'menina, tu estás é com as pernas dormentes, por causa da anestesia'. Ficou naquela moleza, uma agonia. 


A enfermeira dizia que podia ser queda de pressão, nem pegar o bebê para mamar ela conseguia", afirmou a mãe de Amanda, Ivanilda Ferreira da Silva.


Amanda, segundo a família, foi medicada com analgésicos e tomou soro. A mãe dela disse que, em momento algum, depois de sair da cirurgia, a jovem foi atendida por um médico. A única assistência que teve foi do corpo de enfermagem.


"Nada passava. Isso começou às 18h e ela ficou assim até meia-noite, porque não tinha médico. A maternidade também não tem UTI. 


Foi ficando pálida, roxa, mudando de cor, uma agonia. Eu chamei ela para tomar um banho e ela disse que não tinha condições. Ela pediu para se sentar, mas não conseguia levantar. 


Quando botou o pé no chão, começou a ter convulsões", afirmou a mãe da jovem.


Amanda foi, então, transferida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Timbaúba. No local, logo após a chegada, a família foi informada da morte da jovem. Já a filha dela, Júlia, passa bem.


A prefeitura divulgou uma nota nas redes sociais em que lamentou profundamente a morte da jovem e afirmou que aguarda conclusão de laudo do Serviço de Verificação de Óbito e do Instituto de Medicina Legal (IML).


"As outras cinco mães [que deram à luz na maternidade] já tiveram alta e estão em casa", afirmou a gestão.


Responsabilização

O advogado Gilderson Correia, que acompanha a família, afirmou que pretende abrir uma ação de responsabilização civil sobre o caso.


"É muito claro que houve uma responsabilização objetiva, que independe de culpa ou dolo. Ela estava estável, fez pré-natal no posto de saúde da cidade, não tinha, aparentemente, nenhum problema de saúde. Foi, inclusive, o segundo filho dela. 


A maternidade estava inoperante há cinco anos por diversos motivos e o novo prefeito reabriu e colocou as vidas das pessoas em risco. Queremos que isso não aconteça com mais ninguém", afirmou o advogado.


Resposta

O G1 questionou à prefeitura de Timbaúba sobre a falta de médicos, denunciada pela família, e o município disse, em nota, que está investigando junto ao hospital "se houve algum tipo de falha na prestação do serviço contratado" e que está aguardando a conclusão dos laudos periciais para saber a causa da morte.


A prefeitura explicou, ainda, que contratou o Instituto Memorial João Ferreira Lima para prestar serviços médicos de realização de partos "em favor dos timbaubenses, uma vez que o hospital é referência há décadas na cidade" e que "nessa área médica, inclusive, realiza partos particulares diariamente".


"Informamos também que a mãe realizou todo o pré-natal, o qual concluiu que a gravidez não era de risco, tendo em vista que, nos casos de gravidez de risco, fazemos o encaminhamento para maternidades de referência do estado".


A nota afirma, ainda, que todos que fazem parte da gestão estão "extremamente tristes com a perda da mãe e prestando toda atenção necessária à família".


Assista os vídeos abaixo...






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